Quando o barato sai caro?
Escrito por: Vitor Nagata | Data: 15/02/2012 | Categoria: Finanças PessoaisEscrevi um artigo sobre como economizar nas pequenas despesas, mas hoje vou inverter a linha de raciocínio: quando é que a economia de pequenas coisas custa caro?
Quem nunca se arrependeu de uma escolha na qual pensou estar levando vantagem, mas no final das contas acabou saindo mais caro? Embora pareça óbvio, nem sempre o mais barato é a melhor opção, e isso pode acontecer por diversas razões.
Toda opção tem suas vantagens e desvantagens, por isso que o leitor deve refletir e escolher bem, sempre pensando em prazos longos, riscos de problemas maiores e no tempo que será gasto para realizar esta economia.
Mais da metade dos novos negócios no Brasil acabam em até 5 anos. Há muitos motivos envolvendo esta alta mortalidade, mas uma das principais é a falta de planejamento. Num primeiro momento dinheiro e tempo são economizados ao não contratar consultorias ou fazer um bom planejamento, mas depois esta economia aumenta a probabilidade de imprevistos acontecerem.
E o velho “faça você mesmo” também tem seu papel: é comum se preocupar mais com o custo do que com o resultado, o que é errado. Desde a automedicação, passando pela economia com profissionais de saúde mais baratos, até a tentativa de resolver processos trabalhistas por conta própria, não envolvendo um advogado especializado. Na área financeira é comum a idéia de que não é preciso procurar ajuda profissional (pagando um planejador financeiro ou um gestor de fundos, por exemplo), e achar que é fácil ganhar dinheiro em renda variável gastando 2 horas por dia com gráficos. Mais uma vez é dada uma importância maior ao quanto o outro vai receber, do que com o quanto que eu vou ganhar.
E em relação a automóveis? Temos o velho dilema, que vale um artigo inteiro: comprar novo ou usado? É verdade que o novo desvaloriza-se consideravelmente só de “pisar” fora da concessionária, mas não necessariamente o usado será o melhor negócio. Mas não é só isso, a lista relacionada a carros é extensa: não pagar o seguro e tê-lo roubado, não efetuar revisão na concessionária e perder a garantia e preço de revenda, não trocar o óleo e não fazer outras manutenções periódicas e ter de trocar peças mais caras, não efetuar balanceamento/alinhamento ao trocar os pneus e perder sua vida útil, não voltar de taxi depois de beber e ser pego na blitz (para não falar de outras conseqüências piores), consertar o carro em oficinas baratas e desconhecidas, demorar muito para lavar o carro e ter sua pintura manchada e a mais comum: abastecer em posto de gasolina sem bandeira para economizar 10 centavos por litro. Pense bem, ao abastecer um tanque de 40 litros em um posto 10 centavos mais barato, sua economia é de R$ 4! Será que vale a pena?
Há também outros exemplos do dia-a-dia: comprar roupas de tamanho diferente em promoções ou bazares pensando em ajustá-las depois (ou que irá emagrecer), comprar algo em compra coletiva e não usar a tempo, não ter plano de saúde e adoecer ou sofrer um acidente, comprar algo mais barato em um website desconhecido ou de leilões e não ter o produto entregue, importar algum produto que seja apreendido na alfândega…
Poderia continuar infinitamente com exemplos, mas acho que o recado está dado.
Lembre-se sempre que:
- É importante analisar outras características além do preço inicial ao fazer uma escolha, pois nem sempre a melhor alternativa é a mais barata.
- A decisão de pagar ou não por algo deve ser feita com base no quanto você receberá em troca. Se você tem muito a ganhar, não é errado remunerar bem o produtor/vendedor.
- Tempo é dinheiro, e com o passar do tempo ele se torna cada vez mais valioso. Afinal, quanto vale o tempo que você passa com sua família? Quanto você pagaria para ter mais tempo com ela? O Henrique Carvalho do HC Investimentos publicou um ótimo artigo sobre o assunto, considerando o “trade-off” entre tempo e dinheiro, vale a pena ler ester novo artigo.
Tempo é dinheiro: saiba quando economizar pode ser prejudicial a você
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Fomos criados e acostumados a pensar que economizar sempre vale a pena. Porém, minha intenção neste artigo é mostrar que certos tipos de economia podem ter justamente o efeito contrário. Elas podem ser prejudiciais a você, podendo até mesmo retardar o seu crescimento pessoal e profissional.
Cópia a R$ 0,30 ou a R$ 0,60?
Parece uma pergunta idiota, não é mesmo? Afinal, dada a mesma qualidade do material, é claro que você optaria pela cópia de R$ 0,30. Porém, o caso é:
Você está na faculdade e a empresa que faz a cópia de R$ 0,60 fica ao lado de sua sala de aula;
- Já a papelaria que faz a cópia por R$ 0,30 fica a uma hora (30 minutos de ida e 30 minutos de volta).
- Opção 1: gastar R$ 6,00;
- Opção 2: gastar uma hora adicional e gastar R$ 3,00 (economizando outros R$ 3,00).
Gasolina a R$ 2,90 o litro ou a R$ 3,00 o litro?
Você decidiu sair de viagem com sua família e deve decidir em qual posto irá abastecer durante a viagem. Sua intenção é abastecer 50 litros de combustível e deve optar entre dois postos.- Posto #1: o posto fica exatamente no caminho da viagem, porém o preço é de R$ 3,00 o litro;
- Posto #2: É preciso desviar 1 hora do trajeto original para abastecer a R$ 2,90 o litro.
- Opção 1: gastar R$ 150,00 (R$ 3,00 x 50 litros);
- Opção 2: gastar 1 hora adicional e R$ 145 (economizando R$ 5,00).
Tempo é Dinheiro!
Você certamente já ouviu a frase “Time is Money” ou “Tempo é Dinheiro”. Talvez ela não tenha feito muito sentido quando você a escutou pela primeira vez, mas ela é essencial em finanças pessoais e investimentos. Compreender esta frase é saber que o seu tempo é o ativo mais importante. E sabe por quê? Porque ele não tem volta. Você está sempre correndo contra o tempo e não há mágica para recuperar um tempo perdido.
Lembre-se da frase “Tempo é Dinheiro” como um custo-oportunidade. Toda vez que você decidir gastar seu tempo em alguma atividade, saiba que ela possui um custo-oportunidade. Por exemplo: você possui uma prova amanhã, mas decide assistir uma hora de novela. Este tempo tem um custo, já que você está perdendo a oportunidade de estudar mais para garantir uma melhor nota na prova. A relação é simples assim.Você certamente já ouviu a frase “Time is Money” ou “Tempo é Dinheiro”. Talvez ela não tenha feito muito sentido quando você a escutou pela primeira vez, mas ela é essencial em finanças pessoais e investimentos. Compreender esta frase é saber que o seu tempo é o ativo mais importante. E sabe por quê? Porque ele não tem volta. Você está sempre correndo contra o tempo e não há mágica para recuperar um tempo perdido.
“E como aplicar este conceito de custo-oportunidade aos dois casos que analisamos?”. Achei que você não fosse perguntar. Vamos lá…
Você pode estar trocando seu tempo por menos do que o salário mínimo!
Talvez você tenha escolhido economizar dinheiro em ambos exemplos. Afinal, é natural do ser humano querer obter vantagem. No caso da cópia, você poderia falar com seu amigo que pagou R$ 0,60 pela cópia algo tipo: “Nossa, você é louco, eu consegui aqui perto pela metade do preço”. Ou, no caso da gasolina: “Tá louco, você pagou R$ 3,00 o litro? Não conhece o posto de R$ 2,90?”.
Porém, precisamos analisar ambas as situações através do custo-oportunidade, ou pensando na frase “Tempo é Dinheiro”. No caso da cópia:Talvez você tenha escolhido economizar dinheiro em ambos exemplos. Afinal, é natural do ser humano querer obter vantagem. No caso da cópia, você poderia falar com seu amigo que pagou R$ 0,60 pela cópia algo tipo: “Nossa, você é louco, eu consegui aqui perto pela metade do preço”. Ou, no caso da gasolina: “Tá louco, você pagou R$ 3,00 o litro? Não conhece o posto de R$ 2,90?”.
- Opção 1: gastar R$ 6,00;
- Opção 2: gastar 1 hora adicional e gastar R$ 3,00 (economia de R$ 3,00).
O salário mínimo atual é de R$ 622,73. Logo, se considerarmos um trabalhador de 40 horas semanais, ou 168 horas por mês, temos a seguinte relação de R$ 3,71 por hora de trabalho. Então, o trabalhador que recebe o salário mínimo troca uma hora de seu tempo por R$ 3,71.
Surpreendente, não é mesmo? Assim, se você prefere gastar uma hora a mais de seu dia para economizar apenas R$ 3,00, você está trocando o seu tempo por menos do que uma pessoa que recebe o salário mínimo. Este é o seu custo-oportunidade.
Ao invés de trocar R$ 3,00 por hora, você poderia gastar esta hora estudando mais para, futuramente, conseguir um salário melhor. Ou, se você recebe por hora, esta relação fica ainda mais fácil de compreender: se você recebe R$ 10,00 por hora, este tipo de economia custaria a você R$ 7,00 (R$ 10,00 que você poderia receber trabalhando – R$ 3,00 que você efetivamente economizou).
Economizar nem sempre vale a pena
Retornando ao início do artigo, economizar pode até mesmo ser prejudicial ao seu crescimento pessoal e profissional. Principalmente quando a economia potencial é muito pequena em termos absolutos.
Erro #1: Pensar em termos relativos ao invés de absolutos na economia de pequenos valores.
Note que no caso da cópia, a economia absoluta é de R$ 3,00. Porém, em termos relativos é de 50%. Ou seja, metade do preço economizado. Este é um erro fundamental que muita gente comete.
Pela natureza do ser humano – de querer obter vantagem ou contar vantagem para os outros -, ele tende a “esquecer” que, mesmo que ele esteja pagando metade do preço, ele estaria economizando apenas R$ 3,00. E, assim, decide “contar vantagem” usando os 50% como justificativa.
Erro #2: Trocar seu maior ativo (tempo) por pouco dinheiro.
Trata-se de um erro decorrente do primeiro. Seu valioso tempo não tem volta, certo? A afirmação fica ainda mais séria quando se troca seu tempo por menos do que o salário mínimo, como vimos na explicação ali em cima.
O que fazer para evitar estes erros?
Primeiramente, quero deixar um conceito bem claro: não estou dizendo que você nunca deve economizar. Eu mesmo sou um grande poupador e invisto cada centavo guardado para aproveitar o máximo do magnífico benefício dos juros compostos.
A questão é que você deve saber quando economizar. E não, você não precisa ficar maluco calculando a relação entre tempo e dinheiro ou o custo-oportunidade a cada momento. Você precisa lembrar apenas deste simples conceito: ao economizar é preciso pensar mais em termos absolutos do que relativos.
Não importa se o desconto é de 90% quando o preço do produto é R$ 5,00. Afinal, você economizaria “apenas” R$ 4,50. Digo “apenas” porque é preciso avaliar o que você deixaria de fazer (e ganhar) para conquistar este desconto.
De uma forma geral, prefira gastar seu tempo para economizar em compras de alto valor (um desconto de 10% em um produto que custa R$ 1.000,00 é excelente) ou em negociações cujos esforços são mínimos (uma cópia de R$ 0,50 do lado da de R$ 0,60 é um bom negócio, claro!).
Assim, sempre pesquise preços de TVs, aparelhos domésticos, eletroeletrônicos, carros, imóveis e afins. E perceba que, ainda que soe estranho, não vai haver muita vantagem em economizar na compra de canetas, refrigerantes, pão etc.
Mais uma vez reitero: o tempo é seu bem mais valioso; quando bem utilizado, no que realmente importa para você, ele só tem a acrescentar em sua vida. Aproveito para convidá-lo a comentar o texto e dar sua opinião sobre a questão de quando economizar
Fonte de pesquisa: http://www.blogdoinvestidor.com.br/financas-pessoais/quando-o-barato-sai-caro/

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